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'Pontes e viadutos, em geral, são construídos em quatro ou cinco meses. Já as passarelas ficam prontas em uma semana'
A alcunha de "Cidade do aço" fez conhecido o município de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, aquele que na década de 1940 sediou as instalações da primeira empresa a produzir nacionalmente o material ferroso e a comercializá-lo para todo o País - a Companhia Siderúrgica Nacional. Mas o apelido atravessou os tempos por outro motivo: a produção de conhecimento e de aperfeiçoamento das técnicas de estruturas metálicas que se desenvolveu na cidade nas últimas décadas.
É por conta desse "celeiro", na opinião do engenheiro Ildony H. Bellei, que hoje se viabilizam em Volta Redonda tantas obras rápidas e estruturadas em aço como pontes, viadutos, edificações públicas, passarelas, estádios, ginásios, entre tantas outras construções.
Projetista estrutural com mais de 50 anos de experiência, Bellei teve e tem sob sua responsabilidade grande parte dos projetos da cidade, que, segundo ele já somam mais de 17 mil toneladas e ocupam área total de 326.026 m². Nessa entrevista, o engenheiro detalha as soluções aplicadas em cada segmento da infraestrutura do município. Confira.
A cidade de Volta Redonda ficou conhecida nacionalmente como Cidade do aço. Quais as construções que justificam esse apelido?
Temos aço em praticamente todas as áreas de infraestrutura da cidade. Há 20 pontes e viadutos metálicos; as passarelas já somam 18. Há 25 escolas e 57 ginásios poliesportivos e quadras esportivas cobertas. A cidade também construiu 330 casas com coberturas metálicas de aço e prédios populares do Minha Casa, Minha Vida. Há ainda hospitais, edifício-garagem, estádio, mobiliário urbano - são mais de 300 pontos de ônibus em estruturas tubulares -, sem falar nas galerias que são construídas com estaqueamento metálico. Até abril de 2011, foram cadastradas cerca de 982 edificações concluídas e em uso.
Quais os sistemas construtivos adotados na construção dessas obras?
Nas pontes e viadutos, usamos o sistema mais barato possível: viga mista, ou seja, viga de aço com tabuleiro de concreto (pré-moldado ou moldado in loco). Nesse sistema, enquanto o empreiteiro executa a fundação e os pilares, a estrutura é fabricada. Assim, quando a viga pré-moldada é colocada, o tabuleiro é montado em seguida. Com essa agilidade, pontes e viadutos, em geral, são construídos em quatro ou cinco meses. Já as passarelas ficam prontas em uma semana. Na cidade, há 15 delas em perfis soldados com colunas em aço, e outras duas em perfil tubular, sendo uma com coluna de aço e outra com colunas de concreto. O piso varia: ora em aço, ora em concreto.
E as edificações como escolas e hospitais?
As escolas ficam prontas em quatro meses, em média, e, nelas, usamos estrutura convencional de vigas e pilares metálicos. Como as prefeituras pedem escolas com três pavimentos, em geral, usamos lajes pré-moldadas. A cobertura é feita em chapa zincada; quando não tem laje, mas tem forro, usa-se telha sanduíche. Os hospitais são obras maiores de 26 mil m² de área construída e 11 blocos, que levam em média dez meses de construção. O projeto prevê colunas e vigas metálicas, laje pré-moldada e cobertura em chapa zincada.
Nos prédios populares o formato é o mesmo?
Não. Para eles, tem sido adotada parede de alvenaria com estrutura metálica (vigas, colunas e pilares) e lajes pré-moldadas. São apartamentos de 42 m² a unidade, sendo quatro apartamentos por andar em prédio de quatro andares, o que soma 16 unidades habitacionais no edifício. Com esse projeto, a depender da empresa empreiteira, a estrutura do edifício inteiro é construída em uma semana. O valor de cada unidade é estabelecido pela Caixa Econômica Federal: R$ 52 mil por apartamento, dentro do Minha Casa, Minha Vida. Já as casas com coberturas metálicas variam muito porque foram usados 50 tipos do sistema modular da CSN, sendo que 129 casas têm colunas e cobertura metálica em perfil de chapa dobrada, com paredes de alvenaria. De 1998 a 2004, também foi usado aço resistente à corrosão nos telhados e galvanizados no sistema modular CSN.
Esses prédios, por estarem enquadrados no programa habitacional do governo, tiveram que passar por aprovação da Caixa, que tem requisitos específicos para sistemas metálicos. Foi fácil conseguir a aprovação?
Fácil, nada. Fizemos diversas reuniões com a Caixa Econômica para construir prédios rápidos, mas ela cria muitos nós. E faz isso por incompetência, porque não tem conhecimento técnico de estrutura e de sistemas industrializados. Ainda que eles digam que os sistemas metálicos são homologados e plenamente passíveis de aplicação, criam diversas exigências, atestados, ensaios e muita burocracia. Mas, no fim, sai. Só que tem de querer muito!
Dentro dos equipamentos esportivos, você citou o estádio. Em quanto tempo ele foi construído?
Em dez meses. O estádio tem capacidade para 20 mil espectadores e ocupa uma área em planta coberta de 13.700 m². A estrutura metálica pesa 980 t e foi calculada em pórticos (cavaletes) em forma triangular, com cobertura metálica (perfil soldado com variação de altura). A amarração é feita em laje de concreto com degrau em L, e o fechamento e a arquibancada em alvenaria.
'Poucos engenheiros e arquitetos dominam o uso do aço em construções e por isso ele é pouco especificado'
Essas mesmas soluções serão usadas na Arena Olímpica, que está sendo construída na cidade?
A Arena Olímpica é toda em metal, e inclui prédio administrativo e passarelas. Vai ser uma obra como o estádio, mas, em vez do futebol, terá pista de corrida e instalações para esportes olímpicos como atletismo, lançamento de dardo, vara. A arquibancada terá capacidade para 1.500 pessoas e, embaixo do vão perdido da arquibancada mais alta, será aproveitada uma grande área onde serão instaladas lojas de serviços comerciais de toda a ordem (ótica, clínica, etc.). Já do lado da arquibancada mais baixa, serão construídas uma universidade à distância e uma academia para terceira idade.
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